quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Material 8º ano POVOS ANDINOS


História da América: as “altas culturas” pré-colombianas
As “altas culturas” a os império da região da Zona Andina central pré-colombiana


A Zona Andina Central abrange o Peru, Bolívia, equador, Chile e Argentina. Há três faixas que dividem essa zona:
1- deserto costeiro no litoral do pacífico entre o mar e a Cordilheira dos Andes onde uma corrente de ventos era rica em plâncton e atraia peixes, moluscos e aves marinhas. As carnes dessas aves eram alimento e seus excrementos serviam como adubo. No deserto de junho até novembro o tempo era nublado com nevoeiro, de dezembro até maio era quente e quase não chovia;
2 – as terras altas na região da Cordilheira propriamente dita eram temperadas e frias com vegetação herbácea propícia ao pastoreio de lhamas e o vale coberto de bosque para ocupação humana como Cajamarca, Callejón de Huaylas, huánuco, Mantaro, Cusco e Titicaca;
3 – a região amazônica com vales com bosques e rios largos.
Na região Central Andina a exploração dos recursos ecológicos permitiu a construção de agrupamentos verticais nos Andes. Cada grupo étnico procurava aumentar sua propriedade controlando ao máximo a região construindo colônias residenciais permanentes, não houve um Estado ou colônias multi-étnicas. Esse tipo de residência impediu o desenvolvimento de comércio. A Zona Andina Central era igual a Meso-América em certos elementos como pirâmides escalonadas, aspectos religiosos culto ao jaguar-pássaro-serpente. Sua originalidade está no complexo agrícola próprio que associou o milho a plantas como a coca, batata e quinoa e domesticou o lhama. O culto aos mortos se reflete nos traços das múmias andinas. Foi desenvolvido em maior quantidade o uso de metais [ouro, prata, cobre e bronze] bem antes de outros lugares. Havia também um sistema de cálculos baseado em cordões chamado de quipus.
A difusão de aldeias e o surgimento dos primeiros templos e centros cerimoniais datam de 2500 e 1800 a.C. Divide-se em duas fases essa história: a fase pré-ceramica (2500-1800 a.C.) onde surgiram as primeiras pirâmides e templos peruanos [vale de Chillón na costa central peruana e em Chuquitanta] logo que a vida se sedentarizou, primeiro que na Meso-América. As culturas eram regionais e as aldeias tinham até 100 pessoas. Já a segunda fase [1800-900 a.C.] veio a difusão do assentamento em aldeias sedentárias nas terras altas dos Andes centrais, com cerâmica, tecelagem com tear. Domesticação do lhama e uso do milho e mandioca e do amendoim. Outros importantes centros foram La Florida [Lima], em Las Haldas na costa central e o Kotosh perto de Huánuca nas terras altas. Havia Estados regionais com várias comunidades aldeãs.
As primeiras culturas inter-regionais surgiram entre 900-200 a.C., com os primeiros elementos artísticos e religiosos e arquitetônicos que se expandiram até a costa norte peruana. O estilo é o Chavin, com o templo de Chavin de Huántar que se caracteriza por uma cerâmica representando um jaguar e vasilhas com gargalos, casas de pedra ou adobe, adornos de conchas e turquesas, enterros com oferendas e ossos pintados de vermelho e com deformações no crânio. O fato de o estilo Chavin estar em muitas regiões se explica pela expansão do culto ao felino, seja por força de armas ou conversão, permitindo assim uma política que poderia ser chamada de “império Chavin”. Mas esse estilo não existiu sozinho.



As primeiras cidades e o progresso dos Estados organizados têm datação de 200 a.C. até 600 d.C. As características desse período são: grande desenvolvimento tecnológico e artístico, surgimento de Estados organizados e agressivos, nascimento urbanístico andino, mas limitado nas terras altas do sul como Tiahuanaco, com praças e edifícios públicos cercados por bairros residenciais, ao todo chegou a ter 100 mil habitantes. E o desenvolvimento tecnológico e econômico mochica está na criação de amplos sistemas de irrigação, um apogeu da tecelagem, do algodão e da lã. A metalurgia era usada na agricultura e nas armas e para adorno. A agricultura, como em outras culturas, reinava sendo completada pela pesca e caça, esta ultima também era um esporte aristocrático. Era uma sociedade populosa e estatal.



(Guerreiros mochicas)

A cerâmica era produzida pelas mulheres e era a melhor do Peru, com uma boa variedade – da utilitária até a funerária, onde representava a vida cotidiana, personagens, guerreiros e divindade, leprosos, bócios, paralisia, tumores e cegueira. Podemos ver com isso o conhecimento da medicina e cirurgia nas imagens das cerâmicas como amputações, trepanação do crânio, mas havia também nas cultura curandeiras, música de trombeta, percussão e flautas.
A estrutura social e política mochica era violenta no aspecto judicial. Havia castigos severos no sistema judiciário como amputação do nariz, do lábio superior, dos pés; pena de cepo, de morte por lapidação ou exposição do condenado amarrado em poste para as aves de rapina. Os guerreiros eram representados com capacetes, escudo, faca e tacape. A administração era como um Estado, através de estradas e correio público. A arquitetura usava tijolos crus, mas não ouve verdadeira urbanização. Os mochicas eram bons ouvires, usavam turquesas, ametistas, conchas, ouro e prata. A religião conhecia o felino humanizado que aparece voando montado em pássaros, associado a vários animais humanizados ou não, e em luta com outros tipos de animais com conotação demoníaca.
Na costa sul desenvolve-se culturas como as de Nazca e de Paracas-Necrópoles, com figuras ligadas a algum culto astral ou comunicação com deuses celestes. Os cadáveres eram envolvidos em mantos, com os membros flexionados e enterrados com muita cerâmica e outras oferendas. Os tecidos eram de algodão e de lã de lhama. Em Paracas-Necrópoles as tumbas eram verdadeiras casas subterrâneas. Foram achadas centenas de múmias preparadas através da extirpação dos órgãos interno e de ressecamento pela fumaça e envolvidos em cestos depois de envoltas em tecidos.




(Reprodução de cidades em nazca)



(Firugas desenhadas na região de Nazca)

Nos planaltos do sul, em Titicaca, desenvolveu-se uma civilização urbana. Tiahuanaco era um grande centro cerimonial, situado em solo boliviano. A agricultura e o pastoreio eram as bases da economia. Assim como Chavin no passado, Tiahuanaco foi um centro de peregrinação religiosa. Na chamada “Porta do Sol” estava um personagem central humano, tratava-se do deus criador Viracocha. Além das cidades maiores – Tiahuanaco, Púcara, Huari -, havia a menores como Chakipampa, Acuchimay e nwimpukyu. Presume-se a presença de organizações estatais. No vale da costa meridional – Pisco, Ica, Nazca e Acari – surgiram também pequenas cidades, ao norte não há traços de urbanismo, mas muitas guerras que unificaram cada vale e os uniu.
Os primeiros impérios datam de 600-1000 d.C. Houve nesse período conquistas em larga escala com impérios efêmeros que romperam o tradicional isolamento das culturas andinas e permitiu a circulação de bens e idéias na Zona Andina central. O império de Tiahuanaco abrangia do lado Titicaca até o Chile, expandiu seu estilo artístico e militar. Já o império de Huari [600 d.C.-700 d.C.] era um centro urbano do vale do Mantaro, com longa tradição e vínculos culturais com Tiahuanaco. Sua expansão começou entre 600 d.C. e 700 d.C., formando uma liga de cidades. Huari foi a capital de um império que ia do Peru até Cajamarca. As expansões militar e artística difundiram na Zona Andina juntas. Porém houve uma desintegração desse império por causas desconhecidas. Teve a cidade santuário de Pachacamac na costa central do Peru, seu estilo artístico e as técnicas, apesar de não ter progressos eram semelhantes à Tiahuanaco, mas o militarismo e o urbanismo tiveram traços marcantes.



(Reprodução da cidade de Tiahuanaco)

O império inca [1000-1534 d.C.] veio com a destruição do império de Huari que havia levado a descentralização e ao surgimento de Estados independentes. Mas nem por isso o urbanismo deixou de intensificar-se e planificar-se, em especial em chamu e nos incas. Teve aumento da população e extensão de sistema de irrigação. O reino de chimu foi resultado da cultura do vale setentrional de Lambrayeque com elementos mochicas e Huari que dominou a costa setentrional do Peru e parte do Equador com a capital de Chan-Chan, maior centro urbano da Zona Andina Central. A população chegou a 80.000 pessoas, havia guarnições militares. A economia baseava-se no regadio e havia tributo, inspirado nos incas. A sociedade era bem diversificada e hierarquizada. Os Chamus fabricavam cerâmica negra derivada dos mochica e Huari. A metalurgia e o tecido eram avançados e produzidos em série em grande quantidade. A religião se concentrava no culto da lua e das estrelas, incluindo pedras associadas aos antepassados. Havia sacrifícios humanos de crianças e consagração as virgens à Lua. As múmias eram enterradas sentadas em fossas coletivas em oferendas e também apresentavam deformações no crânio. Os reinos e culturas menores eram Cuismancu na costa central com cidades como Cajamarca e Pachacamac. O Estado Chincha no vale da costa sul tinha fortificações, assim como o império Huari e chamu. Os Pukinas eram das terras altas do sul e derivavam de Tiahuanaco e Huari. E iam até a Bolívia e norte do Chile.
No vale de Cuzco formou-se uma confederação inter-étnica dominada pelo grupo chamado de quíchoa ou inca. A expansão militar unificou a totalidade da Zona Andina Central no imenso tawantinsuyu ou império inca e em seu apogeu se estendeu do Equador ao Chile. Até a chegada dos espanhóis. Sua estrutura econômica era agrária: a terra era preparada com um bastão de semear [taclla] denominado “arado de pé”, depois as mulheres quebravam os torrões com uma enxada [lampa]. Os vales andinos eram estreitos com poucos terrenos planos, isso levou ao cultivo e irrigação por meio de canais bem desenvolvidos. A alimentação eram à base de batata, milho, quinoa e oca. A desidratação da batata congelada e conservada levava ao preparo do chuñu. O lhama tinha diversos usos.
A agricultura e a vida social era baseada na aldeia, habitada por diversas famílias com vínculo de parentesco formando uma comunidade ou ayllu, este era um clã ou linhagem com tendência endogâmica (casavam-se apenas com membros do clã ou linhagem) e um sistema de descendência paralela. A família nuclear era a unidade de consumo e de produção. Cada ayllu tinha um chefe [kuraka] que organizava os trabalhos coletivos e resolvia os conflitos. A terra do ayllu, chamada de marka, era dividida em lotes familiares segundo o tamanho da família. O ciclo da vida agrícola baseava-se na ajuda mútua, chamada de ayni, com uma união de trabalho entre as famílias para semear e colher. Não havia tributos in natura, só prestação de serviço. As divindades de cada ayllu eram os waka. Os chefes dos ayllu concentrava a riqueza através da mita, mas tinha que redistribuir os bens, alimentando os trabalhadores. Havia limites à redistribuição dos bens e assim havia uma diferenciação social entre homens comuns [puriq] e os poderosos ou privilegiados [kapa].
Havia uma pirâmide social de poder entre as ayllus, onde surgiam chefes de confederações tribais e reinos, mas todos estes repetiam as obrigações da prestação e redistribuição bem organizados que existia com os chefes de clã. Nestas condições o comércio não tinha grande desenvolvimento. As mudanças surgiram quando o sistema de política que transferia populações mal submetidas ou mais rebeldes para regiões distantes de sua origem e cortando laços comunitários e reduzindo algumas pessoas a um estado de servidão fora da comunidade [a yana].
Em Cusco, capital conhecida pelo sítio Tambo Colorado, Sacsahuaaman, Machu Pichu, assim como Huari, a administração dos incas se apoiou na difusão do urbanismo com cidades como Tumipampa, Cajamarca, Huánuco, Jauja, foram planejadas. A cerâmica e a metalurgia foram inovadas tecnologicamente, a arte e a religião deixaram de ser regional, mas houve traços ainda regionais. O culto do Sol, deus inca, era obrigatório em todo o Tawantinsuyu. Havia redes de templos e um clero bem hierarquizado: os waka podiam ser rochas, múmias, fontes, cavernas, edifícios, etc., associados aos antepassados. A cultura intelectual era passada oralmente. As tradições mítico-históricas eram função de especialistas hereditários de cada linhagem, os chamados amautas. A língua, a quíchoa ainda hoje existente, foi difundida por toda a Zona Andina Central.



(Cidade inca de Machu-Pichu)

Na organização econômico-social das “altas culturas” pré-colombianas há uma diversidade muito grande. Na costa peruana mostra uma economia costeira associada a agricultura e a exploração do mar com grande desenvolvimento do artesanato especializado, comércio de longa distancia e esboço de uma propriedade privada, igual a meso-América. Sobre a tecnologia podemos ver uma deficiência em relação ao Oriente Próximo – ausência do arado, não uso de veículos de roda e pouco uso do metal como ferramentas -, talvez pelo fato de não ter ligação mais estreita com a pecuária. Mas se identificou um grande progresso considerável ao aspecto humano: esforço das civilizações pré-colombianas em aperfeiçoar a divisão social e técnica de trabalho, formas de controle e cooperação da mão-de-obra, diferente do Oriente Próximo e da África antes da colonização. Isso se explicaria pela possibilidade de tecnologia pouco avançada e por haver sociedades estratificadas e diversificadas com um bom desenvolvimento cultural.
Essa organização construída pelas “altas culturas” - o sistema de “reciprocidade” e de “distribuição” – também se diferenciam do modo de produção asiático, que tem como característica o controle da irrigação pelo Estado despótico, fraco desenvolvimento da propriedade privada, existência de estruturas rurais comunitárias com uma classe dominante encarnada na estrutura estatal que submete a comunidade aldeã e explora com tributos. Na América pré-colombiana há um maior caráter igualitário e clânico nas comunidades pré-colombianas como o ayllue calpulli.



Fonte: CARDOSO, Ciro Flamarion. América pré-colombiana. São Paulo: Brasiliense, 2004.

domingo, 29 de setembro de 2013

8º ANO EF - ELZA PEÇANHA DE GODOY - MATERIAL DE APOIO - VIDEO


8º ano EF - EE Elza Peçanha de Godoy - Material de apoio 4º bimestre

URBANIZAÇÃO

Urbanização do Brasil: Conseqüências e características das cidades



Urbanização é o aumento proporcional da população urbana em relação à população rural. Segundo esse conceito, só ocorre urbanização quando o crescimento da população urbana é superior ao crescimento da população rural.
Somente na segunda metade do século 20, o Brasil tornou-se um país urbano, ou seja, mais de 50% de sua população passou a residir nas cidades. A partir da década de 1950, o processo de urbanização no Brasil tornou-se cada vez mais acelerado. Isso se deve, sobretudo, a intensificação do processo de industrialização brasileiro ocorrido a partir de 1956, sendo esta a principal conseqüência entre uma série de outras, da "política desenvolvimentista" do governo Juscelino Kubitschek.
É importante salientar que os processos de industrialização e de urbanização brasileiros estão intimamente ligados, pois as unidades fabris eram instaladas em locais onde houvesse infra-estrutura, oferta de mão-de-obra e mercado consumidor. No momento que os investimentos no setor agrícola, especialmente no setor cafeeiro, deixavam de ser rentáveis, além das dificuldades de importação ocasionadas pelaPrimeira Guerra Mundial e pela Segunda, passou-se a empregar mais investimentos no setor industrial.
Êxodo rural
As indústrias, sobretudo a têxtil e a alimentícia, difundiam-se, principalmente nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Esse desenvolvimento industrial acelerado necessitava de grande quantidade de mão-de-obra para trabalhar nas unidades fabris, na construção civil, no comércio ou nos serviços, o que atraiu milhares de migrantes do campo para as cidades (êxodo rural).
O processo de urbanização brasileiro apoiou-se essencialmente no êxodo rural. A migração rural-urbana tem múltiplas causas, sendo as principais a perda de trabalho no setor agropecuário - em conseqüência da modernização técnica do trabalho rural, com a substituição do homem pela máquina e a estrutura fundiária concentradora, resultando numa carência de terras para a maioria dos trabalhadores rurais.
Assim, destituídos dos meios de sobrevivência na zona rural, os migrantes dirigem-se às cidades em busca de empregos, salários e, acima de tudo, melhores condições de vida.
População urbana
Atualmente, a participação da população urbana no total da população brasileira atinge níveis próximos aos dos países de antiga urbanização da Europa e da América do Norte. Em 1940, os moradores das cidades somavam 12,9 milhões de habitantes, cerca de 30% do total da população do país, esse percentual cresceu aceleradamente: em 1970, mais da metade dos brasileiros já viviam nas cidades (55,9%). De acordo com o Censo de 2000, a população brasileira é agora majoritariamente urbana (81,2%), sendo que de cada dez habitantes do Brasil, oito moram em cidades.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2005 o Brasil tinha uma taxa de urbanização de 84,2% e, de acordo com algumas projeções, até 2050, a porcentagem da população brasileira que vive em centros urbanos deve pular para 93,6%. Em termos absolutos, serão 237,751 milhões de pessoas morando nas cidades do país na metade deste século. Por outro lado, a população rural terá caído de 29,462 milhões para 16,335 milhões entre 2005 e 2050.




O processo de urbanização no Brasil difere do europeu pela rapidez de seu crescimento. Na Europa esse processo é mais antigo. Com exceção da Inglaterra, único país que se tornou urbanizado na primeira metade do século 19, a maioria dos países europeus se tornou urbanizada entre a segunda metade do século 19 e a primeira metade do século 20. Além disso, nesses países a urbanização foi menos intensa, menos volumosa e acompanhada pela oferta de empregos urbanos, moradias, escolas, saneamento básico, etc.
Em nosso país, 70 anos foram suficientes para alterar os índices de população rural e os de população urbana. Esse tempo é muito curto e um rápido crescimento urbano não ocorre sem o surgimento de graves problemas.
Favelização e outros problemas da urbanização
A urbanização desordenada, que pega os municípios despreparados para atender às necessidades básicas dos migrantes, causa uma série de problemas sociais e ambientais. Dentre eles destacam-se o desemprego, a criminalidade, a favelização e a poluição do ar e da água. Relatório do Programa Habitat, órgão ligado à ONU, revela que 52,3 milhões de brasileiros - cerca de 28% da população - vivem nas 16.433 favelas cadastradas no país, contingente que chegará a 55 milhões de pessoas em 2020.
O Brasil sempre foi uma terra de contrastes e, nesse aspecto, também não ocorrerá uma exceção: a urbanização do país não se distribui igualitariamente por todo o território nacional, conforme podemos observar na tabela abaixo. Muito pelo contrário, ela se concentra na região Sudeste, formada pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.






1º ANO HISTÓRIA - IMPÉRIO BIZANTINO E MUNDO ÁRABE - MATERIAL DE APOIO

  Material de apoio para ajuda-los na editoração dos trabalhos, bons estudos.












O Império Bizantino surgiu em meio à crise que passava o Império Romano no século IV, quando o imperador Teodósio dividiu o império em duas partes, o Império Romano do Ocidente com capital em Roma e o Império Romano do Oriente com capital em Constantinopla. No final do século V, as invasões dos povos bárbaros haviam destruído e fragmentado o império ocidental, enquanto no oriente o poder manteve-se centralizado.




A cidade de Constantinopla era a capital do Império Bizantino e se localizava no estreito de Bósforo entre o Mar de Mármora e o Mar Negro. Localizada entre a Europa e a Ásia, era o destino final de importantes rotas comerciais vindas da Ásia e o destino inicial de rotas comerciais para a Europa. Favorecia o intercâmbio cultural e comercial de todas as sociedades desenvolvidas da época.
No governo de Justiniano (527 – 565), o império expandiu seu território que visava recuperar o antigo esplendor vivido pelo Antigo Império Romano, realizando importantes conquistas no norte da África, derrotando os vândalos e posteriormente os ostrogodos na Península Itálica e por último, parte da Espanha após derrotar os visigodos.




Do século VII ao X o Império Bizantino perdeu progressivamente os territórios conquistados e sofreu fortes investidas de outros povos germânicos, de búlgaros e persas.
A recuperação e fortalecimento do Império ocorreram durante o reinado de Basílio II, que derrotou os búlgaros, no entanto, nesse mesmo século XI novas invasões ocorreram, destacando-se os turcos seldjúcidas no oriente médio a partir de 1071.




Governando de forma despótica, Justiniano controlou a vida política, econômica e também a religiosa exercendo forte influência sobre a Igreja, instituindo o “cesaropapismo” e combatendo todas as manifestações contrárias como as “heresias” preocupando a igreja e afetando seu poder.
Mesmo contando com essa aproximação do mundo romano, o Império Bizantino sofreu influência dos valores da cultura grega e asiática. Um dos traços mais nítidos dessa multiplicidade da cultura bizantina nota-se nas particularidades de sua prática religiosa cristã.
Divergindo de princípios do catolicismo romano, os cristãos bizantinos não reconheciam a natureza física de Cristo, admitindo somente sua existência espiritual. Além disso, repudiavam a adoração de imagens chegando até mesmo a liderarem um movimento iconoclasta.
Essas divergências doutrinárias chegaram ao seu auge quando, em 1054, o Cisma do Orienteestabeleceu a divisão da Igreja em Católica Apostólica Romana e Ortodoxa. Dessa forma, a doutrina cristã oriental começou a sofrer uma orientação afastada de diversos princípios do catolicismo tradicional contando com lideranças diferentes das de Roma.


Na Baixa Idade Média, o Império Bizantino deu seus primeiros sinais de enfraquecimento. O movimento cruzadista e a ascensão comercial das cidades italianas foram responsáveis pela desestruturação do Império.
A Quarta cruzada foi responsável pela desagregação do império 1204 a 1261, durante esse período grande parte do território bizantino ficou sob domínio dos mercadores de Veneza.
No século XIV, a expansão turco-otomana na região dos Bálcãs e da Ásia Menor reduziu o império à cidade de Constantinopla. Finalmente, em 1453, os turcos dominaram a cidade e deram o nome de Istambul, uma das principais cidades da Turquia.

Mundo Árabe




A civilização árabe surgiu e irradiou-se a partir da Península Arábica, localizada na Ásia entre o Golfo Pérsico, o Oceano Índico e o Mar Vermelho.
Eles se dividiam em:
•Árabes do litoral: povos sedentários que moravam em cidades próximas do litoral como Meca e Yathrib. Dedicavam-se ao comércio;
•Árabes do deserto: povos seminômades que vivam em oásis da península. Eram criadores de ovelhas, cabras e camelos e realizam saques e pilhagens.
Até o século VI, os árabes ligavam-se pelos laços de parentesco e por elementos culturais comuns. Falavam o mesmo idioma e possuíam a mesma religião politeísta, adorando centenas de divindades.

Na cidade de Meca havia um templo conhecido como Caaba que reunia as estátuas dos principais deuses. Lá também se encontrava a Pedra Negra venerada pelos árabes que diziam ter sida trazida do céu por um anjo. A cidade, além de centro religioso, era também o principal centro comercial dos árabes.


Em 630, Meca foi conquistada por Maomé (Mohamed), que estabeleceu uma nova religião, monoteísta, denominadaIslamismo. Logo, a nova crença se espalhou pela Arábia e os diversos povos foram se unificando em torno da nova religião. Por meio da identidade religiosa, criou-se outra organização política e social entre os árabes.
A religião islâmica prega a submissão total do ser humano a Alá, o deus único criador do universo. Essa submissão é chamada deIslão e aquele que tem fé em Alá é chamado de muçulmano.

Todos os princípios básicos do islamismo encontram-se reunidos no Corão ou Alcorão que além de normas religiosas inclui preceitos jurídicos, morais, econômicos e políticos que orientam o cotidiano da vida social.

Os princípios básicos do islamismo são:

•Crer em Alá, o único Deus e em Maomé (Mohamed), o seu grande profeta;
•Fazer cinco orações diárias com seu rosto voltado para a cidade sagrada de Meca;
•Ser generoso com os pobres dando-lhe esmolas;
•Cumprir o jejum religioso durante o Ramadan (mês sagrado);
•Ir em peregrinação a Meca pelo menos uma vez na vida.

Após a morte de Maomé, a religião islâmica sofreu várias interpretações, entre as quais se destacaram duas correntes, a dos sunitas que correspondem a aproximadamente 80% dos muçulmanos do mundo e a dos xiitas com os outros 20%.
Maomé e seus seguidores criaram o Estado muçulmano de governo teocrático que se expandiu por meio de conquistas militares. Essa expansão se deu em três fases:
•Primeira etapa (632 – 661): Conquistas da Pérsia, Síria, Palestina, Egito;
•Segunda etapa (661 – 750): Conquistas do noroeste da China, norte da África e de quase toda a Península Ibérica;
•Terceira etapa (750 – 1258): Conquistas na Península Balcânica (Europa).






Os árabes tiveram grande influência sobre a civilização ocidental. Eles se destacaram no comércio com o controle de rotas comerciais provenientes da Ásia, revolucionaram a atividade náutica com vários inventos como barco a vela, a bússola e espalharam para o ocidente a pólvora e o papel, na matemática introduziram o algarismo hindu e o numeral zero, desenvolveram a álgebra e a trigonometria e na medicina, descobriram novas técnica cirúrgicas, causas de doenças como varíola e sarampo e ainda contribuíram com várias palavras na língua portuguesa como álcool, algodão, azeite, esfirra, quibe, açougue, etc.

domingo, 22 de setembro de 2013

GEOGRAFIA NO ENEM 2013

  Estarei publicando documentários para ajuda-los a compreender os temas de geografia que mais são pedidos no Enem.
Bons estudos meus queridos, se precisar estudar um tema específico de geografia e só pedir que publicarei para vocês.

Caminhos da Energia 

O sol e o vento são elementos importantes na busca por alternativas sustentáveis de geração de energia elétrica. Ao contrário dos combustíveis fósseis, que dependem de milhões de anos de decomposição e transformação orgânica, as energias solar e eólica são renováveis, ou seja, elas não se esgotam ao serem exploradas. Neste vídeo, iremos descobrir como apesar das limitações técnicas ainda existentes, as energias eólica e solar estão, de fato, ganhando espaço.



sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Avaliação Bimestral de História - 1º ano EM

Bom dia.

Nossa avaliação esta dividida em duas metodologias:
     De acordo com a nova tendencia da educação vocês do ensino médio vocês já devem estar aptos a a desenvolver a capacidade leitora e escritora.
Nossa avaliação e constituída de  textos e  figura/imagem que deveram ser observados e e analisados.
Troquem idéias com seu grupo, discuta sobre o tema de cada questão e responda:

QUAL O TEMA PRINCIPAL DE CADA TEXTO. Escreva um parágrafo expondo o tema principal de cada texto segundo o entendimento socializado do grupo.

DÊ UM SUBTÍTULO PARA CADA TEXTO. Discuta com o grupo um título adequado para cada texto.



Texto 1:

Título:_________________________________

A história de Roma Antiga é fascinante em função da cultura desenvolvida e dos avanços conseguidos por esta civilização. De uma pequena cidade, tornou-se um dos maiores impérios da antiguidade. Dos romanos, herdamos uma série de características culturais. O direito romano, até os dias de hoje está presente na cultura ocidental, assim como o latim, que deu origem a língua portuguesa, francesa, italiana e espanhola.•De acordo com os historiadores, a fundação de Roma resulta da mistura de três povos que foram habitar a região da península itálica . Desenvolveram na região uma economia baseada na agricultura e nas atividades pastoris. A sociedade, nesta época, era formada por patrícios (nobres proprietários de terras ) e plebeus ( comerciantes, artesãos e pequenos proprietários ).




Texto 2:

Título:___________________________________

Recebe o nome de Império Romano (em latim, Imperium Romanum) o estado existente entre 27 a.C. e 476 d.C. e que foi o sucessor da República Romana. De um sistema republicano semelhante ao da maioria dos países modernos, Roma passa a ser governada por um imperador vitalício, e que em 395 dividirá o poder com outro imperador baseado em Bizâncio, (depois rebatizada Constantinopla e atualmente Istambul). Foi em sua fase imperial (por volta de 117 d.C.) que Roma acumulou o máximo de seu poder e conquistou a maior quantidade de terras de sua história, algo em torno de 6 milhões e meio de quilômetros quadrados, um território do tamanho do Brasil, sem os estados do Pará e Mato Grosso.


Texto 3:


Título: ___________________________________



A principal instituição de República romana será o Senado, responsável pela direção de toda política romana. Formado por patrícios, que ocupavam a função de forma vitalícia, o Senado era o responsável pela condução da política interna e da política externa.
Escolhia os magistrados, que eram cargos executivos. Os magistrados eram indicados anualmente e possuíam funções específicas de natureza judiciária e executiva.



Texto 4:

Título: _________________________________________



A expansão territorial trouxe profundas mudanças na estrutura social, política, econômica e cultural de Roma.
1. Houve um enorme aumento da escravidão, já que os prisioneiros de guerra eram transformados em escravos.
2. O surgimento dos latifúndios e a falência dos pequenos proprietários. As terras anexadas ao Estado, através das conquistas possuíam o status de "ager publicus", destinadas aos camponeses. No entanto o patriciado acaba apossando­se destas terras e ampliando seu poder.
3. Processo de marginalização dos plebeus, resultado do empobrecimento dos pequenos proprietários e da expansão do escravismo, deixando esta classe sem terras e sem emprego.
4. O surgimento de uma nova classe social - os Cavaleiros ou Homens-novos enriquecidos pelo comércio e pela prestação de serviços ao Estado: explorar minas, construir estradas, cobrar impostos etc...
5. aumento do luxo e surgimento de novos costumes, em decorrência da conquista do Império Helenísitco. Como exemplo, o culto do Mitraísmo.
6. Como resultado da marginalização dos plebeus e do desenvolvimento do escravismo, houve um enorme êxodo rural, tornando as cidades superpovoadas, contribuindo para uma onda de fome, epidemias e violência. Para controlar esta massa urbana, o Estado inicia a Política do Pão e Circo - a distribuição de alimentos e diversão gratuita. Com isto, o Estado romano impedia as manifestações em favor de uma reforma agrária.
7. No plano militar, o cidadão soldado foi substituído pelo soldado profissional, que passou a ser fiel não ao Estado mas sim ao seu general. O fortalecimento dos generais contribuiu para as guerras civis em Roma.

Figura 1:

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Imagem 2:

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Figura 3:



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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Desenvolvimento sustentável - Material de apoio 8º ano EF


Introdução a como funciona o desenvolvimento sustentável







Virou moda. O termo desenvolvimento sustentável está em tudo que é lugar. Nos relatórios das empresas, no discurso dos ambientalistas, nas teses científicas. É o novo paradigma para uma infinidade de discussões econômicas, políticas, ambientalistas e sociológicas. Mas afinal, o que é isso?
Uma das definições mais usadas para desenvolvimento sustentável éo desenvolvimento capaz de suprir as necessidades atuais da população, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. Ou seja, a idéia é crescer sem destruir o ambiente e esgotar os recursos naturais.
Essa definição, no entanto, é considerada limitada por alguns cientistas já que não aborda outros aspectos como o político e o social. Para entender melhor o que é desenvolvimento sustentável é necessário conhecer um pouco da história de como foi entendido o desenvolvimento anteriormente, como surgiu o termo, as formas como ele pode ser medido e as teorias que ajudaram a criar a expressão. Vamos lá.

Nascido da consciência ambiental

Desde meados do século 19, a palavra progresso veio a resumir a forma de pensar e agir economicamente na sociedade contemporânea. Era o início da Revolução Industrial. O pensamento positivista, cujo o principal mentor foi o sociólogo Augusto Comte, perpassa por essa postura. O progresso foi considerado a principal forma de desenvolvimento, regendo o mundo capitalista e também moldando parte das políticas dos países que adotaram o socialismo real. Na prática, significou criar fábricas e mais fábricas, incentivar o consumo, construir infra-estrutura para tal e descobrir as formas eficientes de explorar matéria-prima, retirando-a de todas as formas. Esses pressupostos foram adotados com voracidade pelas mais diversas sociedades. O resultado disso foi um impacto ambiental negativo nunca antes visto na Terra. Os problemas decorrentes são materializados por questões como o aquecimento global, efeito estufa, chuva ácida, poluição do solo e dos rios, inversão térmica, extinção de animais, entre outros.

Desenvolvimento, então, era associado ao progresso a qualquer custo. A mudança de paradigma começou a ser formulada com a constatação pelos cientistas dos problemas e o início das discussões de alternativas que surgiram na baila do movimento pacifista, embrião do movimento ecologista, dos anos 60 tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.

Oficialmente, essa nova visão apareceu, pela primeira vez, na Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em Estocolmo, Suécia, em 1972. O termo fazia parte do arcabouço teórico desenvolvimento pelo economista polonês, naturalizado francês, Ignacy Sachs.

Em 1987, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas adotou o conceito no famoso relatório Brundtland, que discutia o futuro comum dos habitantes da Terra. Durante a Eco-92, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, ocorrida no Rio de Janeiro (Brasil), o conceito tornou-se princípio fundamental e parâmetro para a Agenda 21, uma série de metas, aprovadas pelos mais de 160 países participantes. Em 2002, Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, chamada também de Rio+10, ocorrida em Johanesburgo (África de Sul), ampliou ainda mais a discussão em cima do que seria o tripé da sustentabilidade ou triple bottom line. Esse sim, uma maneira mais sistemática de discutir o desenvolvimento sustentável, mesmo que ainda embrionário em vários aspectos. Entenda melhor o conceito.



Como medir o desenvolvimento sustentável

Os modelos tradicionais de medição econômica não conseguem abranger os aspectos do desenvolvimento sustentável. O exemplo mais claro é o Produto Interno Bruto (PIB), que mede a receita total de uma determinada região. Como leva em conta apenas os aspectos monetários, o PIB não consegue abranger outros aspectos como a divisão igualitária dessa riqueza na sociedade e os impactos negativos no meio ambiente.
Assim, ao longo dos últimos anos, começaram a surgir alguns métodos para tentar medir a sustentabilidade. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), não é exatamente um índice de sustentabilidade, mas ajudou dimensionar esses novos métodos. Um dos exemplos de novo método é o Indicador de Progresso Genuíno (GPI) que baseado no cálculo do PIB agrega outros dados que podem influenciar para cima ou para baixo o valor. O GPI é calculado pelas organizações não-governamentais Redefining Progress, baseado em metodologia do Friends of the Earth. Nele, são medidos dados como:




Distribuição da receita – mede o quanto do PIB vai para as classes menos favorecidas.

Trabalho doméstico e voluntário – como o que a dona-de-casa faz não rende dinheiro, seu trabalho não entra nas estatísticas tradicionais. Aqui, ele conta. Assim como o trabalho voluntário.

Nível educacional – Quanto maior o nível educacional da população, maior o índice GPI.

Custo do crime – A violência contra o homem, a natureza e a propriedade privada é um grande desperdício de recursos de uma sociedade. Por isso, esse custo deve ser subtraído.

Exaustão de recursos – Ligado diretamente à questão ambiental, contabiliza as perdas de recursos naturais ocorridas em casos como o do desmatamento ou a exploração de uma jazida mineral.

Poluição – Fumaça nas cidades, rios cheios de poluentes, barulho. Tudo isso gera custo, que vai impactar negativamente o índice.

Degradação ambiental a longo prazo – Mudanças climáticas, lixo nuclear, buraco na camada de ozônio. Os custos desses problemas contemporâneos são contabilizados.

Diminuição do tempo de lazer – Nas cidades grandes, o tempo para descansar e se divertir é cada vez mais escasso, ou seja, é importante saber o quanto a falta desse tempo de ócio pode custar para a vida das pessoas e do país.

Gastos defensivos – Esse item mede os custos de se defender contra vários problemas de ordem ambiental e/ou social, seja a erosão ou um acidente de carro.

Tempo de vida útil dos bens de consumo e da infra-estrutura pública– Os índices tradicionais medem o investimento em infra-estrutura e os gastos com consumo, mas não estimam o desgaste e a manutenção desses produtos. O GPI, sim.

Dependência de ativos externos – Nos cálculos tradicionais, como no PIB, a maioria dos empréstimos internacionais são considerados positivos. Já no GPI, quando o empréstimo é para investimentos, ele pode ser considerado positivo. Se o empréstimo é para o consumo, torna-se negativo.

A organização não-governamental Friends of the Earth (Amigos da Terra) criou um índice semelhante ao GPI, o IESW (Index of Sustainable Economic Welfare ou Índice de Sustentabilidade Econômica e de Bem-Estar Social). Os mesmos itens do índice anterior são destrinchados em outros subitens para que o cálculo possa ser feito, com resultados semelhantes.


Essas medidas são feitas principalmente para países ou determinadas regiões geográficas. Mas as empresas também têm tentado trabalhar o conceito. Bolsas de valores no mundo têm criado fundos e índices que levam em conta o triple bottom line. É o caso do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo, Bovespa. No balanço sustentável de muitas empresas atualmente, são incluídos também dados não ligados diretamente ao negócio da empresa como, por exemplo, uma empresa petrolífera compra créditos de carbono para tentar mitigar o impacto da sua produção. Outras empresas adotam os selos de responsabilidade social corporativa para atestar seu caráter.



Alguns dos critérios adotados por esses novos índices de sustentabilidade do mercado são:

Dimensão da natureza do produto – empresas que têm produtos que causam dependência física ou ameaçam a integridade do consumidor não podem participar.

Governança corporativa – empresas que adotam o modelo de governança que basicamente amplia a transparência dos dados divulgados pela empresa.

Plano de contigência – as empresas devem estar preparadas para ocasionais problemas que cessem sua produção.

Dimensão ambiental – além de atender as exigências da legislação ambiental, é importante que as empresas pensem e procurem melhorias que ajudam a amenizar os impactos das suas ações.

Dimensão social – Além de atender às exigências da legislação trabalhista, as empresas devem incluir políticas de inclusão da diversidade social (como negros ou portadores de necessidades especiais), além de ter uma política para tentar inibir a corrupção.

Enfim, a sociedade contemporânea tem tentado medir a sustentabilidade para poder dimensionar melhor o problema e poder criar planos alternativos para as atuais e futuras gerações. A questão implica, no entanto, numa internacionalização dessas normatizações e a confiabilidade de dados, o que só poderia acontecer se todos adotassem as mesmas regras. De qualquer modo, esses modelos podem ajudar a discutir problemas do conceito de desenvolvimento sustentável, que recebe várias críticas.